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Entrevistas forenses com crianças e adolescentes: técnicas, limites e cuidados para garantir validade pericial

05 de outubro de 2026 Holding Psicologia 4 min de leitura

Orientações práticas sobre entrevistas forenses com crianças e adolescentes, abordando técnicas adaptadas, redução do viés sugestivo e formas de documentação pericial aceitáveis em contexto jurídico.

Entrevistas forenses com crianças e adolescentes: técnicas, limites e cuidados para garantir validade pericial

As entrevistas forenses com crianças e adolescentes exigem protocolos específicos, sensibilidade etária e cuidados técnicos que favoreçam a validade pericial e a proteção do sujeito infantojuvenil.

Princípios e objetivos das entrevistas forenses com crianças e adolescentes

Essas entrevistas têm como objetivo principal obter informações relevantes para fins judiciais, preservando a integridade psicológica da criança ou adolescente e observando normas éticas e legais. Em contexto pericial, o foco é a coleta de dados válidos para avaliação técnica, não a terapia ou a investigação policial isolada.

Objetivos principais

Os objetivos incluem: clarificar eventos relatados, avaliar credibilidade das declarações no contexto do desenvolvimento e documentar comportamentos relevantes para a perícia.

Princípios éticos e legais

Devem nortear a prática: a proteção do sigilo na medida prevista por lei, o respeito à vulnerabilidade do sujeito, o consentimento informado dos responsáveis quando aplicável e a adoção de posturas que evitem revitimização. O perito deve declarar limites do seu papel e agir com imparcialidade técnica.

Técnicas e instrumentos adaptados à infância

Instrumentos e técnicas devem ser escolhidos segundo a idade, o nível de desenvolvimento e a capacidade de linguagem da criança ou adolescente. Protocolos semiestruturados reconhecidos reduzem variações indevidas entre entrevistadores e aumentam a comparabilidade das informações.

Abordagens recomendadas

Entre abordagens amplamente recomendadas estão o uso de perguntas abertas, sequenciamento de narrativa livre e, quando adequado, métodos lúdicos ou expressivos que facilitem a comunicação sem sugerir respostas.

  • Perguntas abertas: iniciam com "conte-me" ou "o que aconteceu" para estimular relato espontâneo.
  • Sequência de memória: pedir à criança que relate desde o começo, sem interrupções, e depois explorar detalhes cronologicamente.
  • Recursos não sugestivos: desenhos livres, contação de história e uso de imagens neutras para facilitar a expressão, sempre evitando material que induza conteúdo.
  • Protocolos estruturados: utilizar roteiros validados quando disponível, adaptando linguagem e duração ao sujeito.

Redução de viés sugestivo e manutenção da validade pericial

O viés sugestivo é uma das principais ameaças à validade. Prevenir esse viés depende de treinamento do entrevistador, padronização das perguntas e controle das informações prévias fornecidas ao entrevistador.

Validade pericial depende tanto da técnica aplicada quanto do controle do viés, da documentação rigorosa e do respeito aos limites éticos do trabalho com menores.

Práticas específicas para reduzir viés incluem:

  • Evitar perguntas fechadas e conduzidas, como "isso aconteceu com seu tio?"; preferir "Quem estava lá?" ou "O que você lembra depois disso?".
  • Limitar informações antecedentes repassadas ao entrevistador sobre hipóteses já levantadas, mantendo o foco em recolher dados primários.
  • Treinamento e supervisão contínuos para padronizar procedimentos e identificar tendências sugestivas do entrevistador.
  • Sequência única e adequada da entrevista, evitando repetição de perguntas em diferentes horários que possa contaminar relatos.

Registro, documentação e elaboração de laudo para perícia

O registro fiel da entrevista é essencial para a aceitação pericial. Sempre que legalmente possível e com o devido consentimento, o registro audiovisual é preferível por permitir verificação posterior do processo de entrevista. Caso não seja viável, registros escritos devem ser precisos, cronológicos e documentar intervenções do entrevistador.

Itens mínimos de documentação

  • Identificação do sujeito e informações contextuais relevantes (idade, escolaridade, acompanhante, encaminhamento).
  • Descrição do ambiente e das condições da entrevista (tempo, materiais utilizados, interrupções).
  • Roteiro aplicado ou protocolo seguido, com justificativa técnica para adaptações.
  • Transcrição literal de trechos relevantes, anotando pausas, choro ou outras manifestações não verbais quando possível.
  • Registro de consentimento dos responsáveis e assentimento da criança ou adolescente quando aplicável.
  • Observações técnicas sobre confiabilidade do relato, limitações do método e hipóteses interpretativas.

No laudo, deve-se explicitar a metodologia, as limitações da coleta, o nível de confiança nas conclusões e evitar conclusões que extrapolem o escopo dos dados. A linguagem precisa ser técnica e compreensível para operadores do direito.

Limites, cuidados finais e orientações práticas

O perito deve reconhecer limites inerentes à memória e à comunicação infantil, assim como os efeitos de repetição e do contexto institucional. É fundamental registrar incertezas e recusar extrapolações não sustentadas pelos dados.

  • Planejar entrevistas com duração e ritmo adequados à idade.
  • Priorizar a proteção do sujeito e a minimização de retraumatização.
  • Manter comunicação clara com a equipe jurídica sobre procedimentos e limites éticos.

Para avaliações periciais em Curitiba, a equipe coordenada por Rafael Cecconi, psicólogo (CRP 08/18.333), com formação em Psicologia Jurídica, trabalha com protocolos e documentação que buscam equacionar técnica e ética. Este texto tem caráter informativo e não substitui avaliação individual realizada por profissional habilitado.

Se desejar orientação sobre preparo para avaliação pericial ou esclarecimentos técnicos, entre em contato com um especialista qualificado para sua situação.

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